sábado, 10 de outubro de 2009

DEUS


Às vezes fico pensando sobre a dureza da vida. Nosso mundo tem muitas coisas bonitas, mas há também muita dor... Vira e mexe a gente tem acesso a uma dessas dores da vida, seja no vizinho, no noticiário da televisão, seja em nossa própria história. É terrível. E ficamos desolados, sem entender muito a razão de tudo isso, assustados com nossa fragilidade, nossa impotência.


Então surge a idéia de Deus, que é no fundo uma esperança de que nada seja por acaso, de que no fim exista um por quê. Assim, a vida fica menos dura, por causa da expectativa de um porvir, o depois da morte que automaticamente se associa à crença num Princípio Inteligente, Perfeito, que nada faz por acaso. Só Deus oferece significado à fragilidade humana, na promessa de uma recompensa futura que dá sentido às dores do presente.

Acreditar em Deus é um alento, uma necessidade, mas o fato de ser tão consoladora sua existência, nos leva paradoxalmente a questionar se nós o criamos, ao invés d’Ele nos ter criado.

Na verdade, não há como saber se há verdadeiramente um Deus. Ninguém pode prová-lo, exceto através de conjecturas. Analogamente, é impossível provar que não existe. Significa que, no fim das contas, crer ou não em um Deus, é sempre uma questão de fé.

Porém fico aqui refletindo, que é também uma questão de sabedoria. Que vale mais à pena? Se acredito em Deus, vivo minha vidinha com seus altos e baixos sustentada na esperança d’Ele. Até mesmo a morte, drama inevitável que se impõe a todos nós, é minimizada pela convicção de que existe uma vida além dela, onde Deus me espera. Se eu morrer, e estiver certa, olharei para vida deixada na Terra e me felicitarei por ter acreditado, por ter estado certa. Mas se eu morrer e nada mais existir, não saberei, porque serei nada. Nem para dizer: “Eu acreditei numa tolice!”, estarei ali. Terei morrido feliz, crendo.

Se eu em nada acreditar, ao morrer, se estiver certa, não viverei para experimentar a grata satisfação de constatar a autenticidade de minha descrença. E se estiver errada e a vida continuar, só poderei lamentar ter vivido na secura da descrença durante tanto tempo. Terei enfim vivido infeliz, descrendo.

Portanto, se crer em Deus e na Vida Eterna é uma questão de fé, tanto quanto não crer, concluo que é preferível, mais sábio, mais tranqüilo crer. Portanto, me parece que ao contrário do que se pensa, o homem de fé é muito mais esperto!


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