
É muito comum ouvir falar em autotransformação. As pessoas falam nisso atualmente como sendo a fórmula de uma vida mais feliz, que procuramos há tanto tempo: transformar-se para melhor. Afinal, o mundo mudou muitíssimo nos últimos séculos, mas o homem permanece com as mesmas questões existenciais, e sua busca pela felicidade é a mesma dos nossos antepassados.
Isso nos leva a voltar os olhos para nós mesmos, e questionar o que em nós pode mudar, para que nos sintamos felizes.
Ao nos observarmos desta maneira questionadora, parece inevitável concluir que é necessária, com urgência, uma transformação na forma como a maioria de nós age no mundo. De todos os pontos do globo, ainda encontramos, apesar do progresso tecnológico e científico, implícita e explicitamente, apelos à generosidade, pedidos de paz, convites à união. Tudo clamando por uma transformação na sociedade que, tendo como núcleo a criatura humana, sugere que o homem precisa primeiramente transformar a si próprio.
Daí o tema autotransformação ser importantíssimo para o nosso momento, e não parece ser demais pensar sobre o assunto novamente.
Contudo, o que tenho observado é que, frequentemente, quando se fala em autotransformação, a premissa da qual se parte é uma forte negação de si mesmo. Parece que os esforços para realizar esta autotransformação têm se concentrado na repressão das tendências indesejadas. E repressão, na verdade, não é mudança. Pelo contrário, repressão é resistência à mudança, é cristalização. É jogar a poeira para debaixo do tapete. É mentir, esconder, enganar e, neste caso, enganar a si mesmo.
Qual o resultado? A pessoa aparentemente se transforma, mas vira e mexe os velhos impulsos aparecem, mais fortes do que nunca, explosivos, revelando a sujeira escondida debaixo da persona, da nova máscara que foi tudo o que mudou.
O problema está, me parece, nesta negação de si. Precisamos, antes de qualquer mudança, saber quem realmente somos. Quais os nossos paradigmas? Afinal, como posso transformar o que desconheço?
Qualquer engenheiro, que pretenda empreender uma reforma num edifício, deve primeiro conhecer a planta original, investigar as estruturas que já existem. E se for esperto, tirará proveito dela.
Então, quando o assunto é reformar nós mesmos, por que não agimos como o engenheiro? Porque insistimos em construir algo novo sobre o velho, sem analisar as bases do velho, ignorando sua existência? Não se trata de uma atitude logicamente fadada ao fracasso?
O primeiro passo para uma autotransformação efetiva é acreditar que existe, em nós, a pessoa que queremos ser, assim como a que não queremos. Afinal, temos potencial para tudo que é humano. E se o homem pode ser bom, fato do qual a existência de grandes exemplos como Jesus, Francisco de Assis, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama são a prova, é porque há em nós esta possibilidade. Porém há também o potencial de ser um Gengis Khan, um Átila, um Hitler da vida.
Cientes disso, começamos a questionar o que, em nossa vida, reforça o aspecto sombrio, o que reforça a luz. Nos damos conta das escolhas que temos em nossas mãos. Por onde quero seguir? O que me impede, em mim, de seguir? E ao invés de simplesmente reprimir meu autoritarismo, posso “aproveitá-lo”, transformando-o em determinação. Ora, pois até um Hitler teve qualidades positivas, como a capacidade de sonhar, de planejar e realizar. O problema foi como direcionou essa capacidade.
Isso é transformação. Pegar uma energia e dar-lhe nova direção, e não bloqueá-la, até porque é impossível. É impossível ir contra o fluxo natural da vida.
Assim, penso que autotransformação passa primeiro por aceitação de si mesmo, sem o quê se torna impossível realizá-la. Aceitação da própria humanidade.
E o mais incrível é que, ao nos aceitarmos, nós nos transformamos. Porque é a tendência da existência: mudança. Como dizia Lavoisier: “Na vida, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.” O esforço está, de certo modo, em deixar a vida nos levar...
Isso nos leva a voltar os olhos para nós mesmos, e questionar o que em nós pode mudar, para que nos sintamos felizes.
Ao nos observarmos desta maneira questionadora, parece inevitável concluir que é necessária, com urgência, uma transformação na forma como a maioria de nós age no mundo. De todos os pontos do globo, ainda encontramos, apesar do progresso tecnológico e científico, implícita e explicitamente, apelos à generosidade, pedidos de paz, convites à união. Tudo clamando por uma transformação na sociedade que, tendo como núcleo a criatura humana, sugere que o homem precisa primeiramente transformar a si próprio.
Daí o tema autotransformação ser importantíssimo para o nosso momento, e não parece ser demais pensar sobre o assunto novamente.
Contudo, o que tenho observado é que, frequentemente, quando se fala em autotransformação, a premissa da qual se parte é uma forte negação de si mesmo. Parece que os esforços para realizar esta autotransformação têm se concentrado na repressão das tendências indesejadas. E repressão, na verdade, não é mudança. Pelo contrário, repressão é resistência à mudança, é cristalização. É jogar a poeira para debaixo do tapete. É mentir, esconder, enganar e, neste caso, enganar a si mesmo.
Qual o resultado? A pessoa aparentemente se transforma, mas vira e mexe os velhos impulsos aparecem, mais fortes do que nunca, explosivos, revelando a sujeira escondida debaixo da persona, da nova máscara que foi tudo o que mudou.
O problema está, me parece, nesta negação de si. Precisamos, antes de qualquer mudança, saber quem realmente somos. Quais os nossos paradigmas? Afinal, como posso transformar o que desconheço?
Qualquer engenheiro, que pretenda empreender uma reforma num edifício, deve primeiro conhecer a planta original, investigar as estruturas que já existem. E se for esperto, tirará proveito dela.
Então, quando o assunto é reformar nós mesmos, por que não agimos como o engenheiro? Porque insistimos em construir algo novo sobre o velho, sem analisar as bases do velho, ignorando sua existência? Não se trata de uma atitude logicamente fadada ao fracasso?
O primeiro passo para uma autotransformação efetiva é acreditar que existe, em nós, a pessoa que queremos ser, assim como a que não queremos. Afinal, temos potencial para tudo que é humano. E se o homem pode ser bom, fato do qual a existência de grandes exemplos como Jesus, Francisco de Assis, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama são a prova, é porque há em nós esta possibilidade. Porém há também o potencial de ser um Gengis Khan, um Átila, um Hitler da vida.
Cientes disso, começamos a questionar o que, em nossa vida, reforça o aspecto sombrio, o que reforça a luz. Nos damos conta das escolhas que temos em nossas mãos. Por onde quero seguir? O que me impede, em mim, de seguir? E ao invés de simplesmente reprimir meu autoritarismo, posso “aproveitá-lo”, transformando-o em determinação. Ora, pois até um Hitler teve qualidades positivas, como a capacidade de sonhar, de planejar e realizar. O problema foi como direcionou essa capacidade.
Isso é transformação. Pegar uma energia e dar-lhe nova direção, e não bloqueá-la, até porque é impossível. É impossível ir contra o fluxo natural da vida.
Assim, penso que autotransformação passa primeiro por aceitação de si mesmo, sem o quê se torna impossível realizá-la. Aceitação da própria humanidade.
E o mais incrível é que, ao nos aceitarmos, nós nos transformamos. Porque é a tendência da existência: mudança. Como dizia Lavoisier: “Na vida, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.” O esforço está, de certo modo, em deixar a vida nos levar...


5 comentários:
Olá,achei seu blog muito interessante.Vou seguir pra não perder nem um post.abraços pra você.
Na realização de um estudo em uma casa espírita no estado de goiás, usei esta sua frase inicial que é simplesmente fantástica: "Entender-se é um desafio que exige uma enorme capacidade de amar, de se perdoar e se aceitar, sem, todavia, se acomodar. É a nossa grande busca. O sentido de nossas vidas." Treigher, 2007.
Penso que vc não se incomodou por isso, mas achei que caía bem com o tema que iria abordar naquela noite "Conhecimento de Si Mesmo"...Parabéns pelo artigo achei ótimo e concordo totalmente com sua visão...bjs..
Hermilaine e Alexandre,
Obrigada pelas palavras que incentivam. Abraços!
Muito prazer em conhecer seu blog Caroline.
Eu sou bulímica e voltei a ter meus ataques de querer devorar tudo, depois de 1 ano sem comer compulsivamente.
Mas agora eu estou tão envergonhada de ter me rendido mais uma vez a esse ciclo vicioso, tento esconder das pessoas que voltei com os maus hábitos, como se estivesse protegendo esse defeito meu.
Eu já fiz psicoterapia e tudo, minha família sofreu muito no processo de querer me consertar. E quando já tavam todos os podres da família às claras, eu não achei que tivesse mais nada a esconder e parei de comer e vomitar, acho que foi assim que eu fiquei normal por um tempo.
Desculpe por roubar seu artigo pra falar dos meus problemas, mas eu não estou com vontade de apagar o que acabei de escrever.
Obrigada pelo depoimento! Pensando nele esvrevi uma nova postagem: "Quando o espelho dói." Dê uma olhada. Sugiro que volte a fazer terapia, não porque seja uma pessoa anormal, mas porque todos os seres normais precisam estar se "revisando" de vez em quando...
Um abraço e boa sorte!
Postar um comentário
Registre aqui sua opinião e muito obrigada!