LIDANDO COM UMA CRISE DE BIRRATodos os pais sabem o que é isso. O pequerrucho de três ou quatro anos de repente pára, insiste em fazer algo que lhe é proibido e, impedido, faz um escândalo. Quem vê de fora tem certeza que está sendo torturado. E a pobre mãe, o angustiado pai, ou a coitada da babá, temerosa de perder o emprego, se encolhem, intimidados, diante da famosa birra.
O que fazer? Bater? Gritar? Ignorar? São muitas as saídas possíveis, indicadas pela voz da experiência de muitos que já passaram pelo mesmo drama, ao longo das gerações. O beliscão ou a palmada ainda continuam, neste contexto, sendo os preferidos. Mas para a psicologia da educação, são atitudes ultrapassadas e danosas, que nada oferecem de bom e que, pelo contrário, se encontram na raiz de muitos males. Esta foi, pelo menos, a conclusão de Alice Miller, psicóloga alemã, autora de “A Verdade Liberta”, livro em que expõe suas conclusões após anos de pesquisas com adultos depressivos, cujas infâncias encontrou repletas de abusos, muitos aparentemente inocentes e justificados pela sociedade, e que denominou “pedagogia negra”.
Nossa! E um tapinha é um abuso?! Sim, pode acreditar. Geralmente nos escandalizamos com os abusos sexuais, mas há abusos de outra ordem: físicos e emocionais. A psicóloga brasileira Rosa Cukier, famosa pelo trabalho psicodramático com a criança ferida que existe dentro de cada adulto, enumerou estes últimos como os mais freqüentes e tão graves quanto os sexuais.
Bater no filho é abuso físico, assim como ameaçar abandoná-lo, humilhá-lo, xingá-lo, são abusos emocionais. Tudo isso é traumatizante, pois abala a constituição da auto-estima da pessoa em desenvolvimento, o sentimento de segurança física e estabilidade emocional.
Moral da história: é melhor procurar outro meio de lidar com a birra, pois ao contrário do que dizem, tapinha de amor dói e dói muito! Claro que surrar é mais grave que uma palmada, mas a filosofia é a mesma: criança pode apanhar. Qualquer adulto que apanhe sente-se ofendido e pode protestar com apoio de todos, mas a criança não! Depende do quanto apanhou! Isso não é um absurdo?
Vamos então a uma dica para pais e mães aflitos. Quando seu filhinho estiver fazendo birra, estejam certos de que não é nada pessoal. Eles não estão fazendo isso para lhes afrontarem desrespeitosamente. Na verdade, eles estão aprendendo seus limites, que ainda desconhecem. Acabaram de descobrir que possuem o fabuloso poder de interferir no meio a partir de sua vontade. Que quando querem algo podem conseguir, lutando por isso. Estão desenvolvendo habilidades neste sentido! Seu filho birrento é um lutador, acredite! Claro que você não quer que ele perca a capacidade de lutar pelo que deseja. Entretanto ele precisa saber que para tudo existem regras e limites. Para mostrar tais limites, sugerimos que usem a seguinte estratégia, que me foi ensinada por uma amiga que trabalha com crianças, a psicóloga paraense Lila Rosana Brito:
1º. Tente mudar de assunto. Se ela quer brincar com a sua lâmina de barbear, fale de como é legal aquela bola ali perto, o barulho dos carros lá fora, etc. Se ela entrar nessa, ótimo; se não, vamos ao segundo passo...
2º. Explique a ela porque não pode obter aquilo que deseja. Mas tente explicar com a linguagem da criança, de uma maneira compreensível para ela. Se mesmo assim, ela continuar birrando, faça o terceiro passo.
3º. Ignore. Deixe-a chorar, reclamar, insistir. Não tenha vergonha do escândalo de seu filho. Lembre-se que é apenas uma criança. Fique certo que o espetáculo dela será tão mais longo quanto mais valorizado. Como todo artista, ao perceber que o público a ignora, ela acabará desistindo. Se não desistir , siga para o próximo passo.
4º. Leve a criança para o quarto dela. Faça isso com determinação, mas sem violência. Se você se desesperar, se perder o controle, ela descobrirá que tem o poder de lhe tirar do eixo, e isso não é bom. Seja firme, não agressivo. Diga-lhe que pode chorar, mas que o choro está muito alto e, portanto, deve ficar no seu quarto, até que se acalme. Geralmente, a criança sairá do quarto junto com você, mas pacientemente você a levará de volta, repetindo que sairá do quarto quando se acalmar. Faça isso quantas vezes for necessário, até que ela compreenda que não adianta lhe seguir. Mas cuidado! Nada de deixar o pequeno trancado, de joelhos, ou algo semelhante! Nada de lhe bater, dizer que não vai mais amá-lo ou que é um menino mau. Ser firme não significa ser cruel.
5º. Quando a criança se acalmar, deixe-a sair do quarto. Ela não estava lá de castigo, mas porque estava gritando muito e o local onde lhe é permitido expressar com maior liberdade suas emoções é o seu quartinho. Simplesmente abrace-a e continue o dia normalmente. Não há necessidade de sentar e discutir a relação. Fique certo de que ela entendeu, mais pelos fatos do que por qualquer sermão, como termina uma crise de birra.
Bem, este passo-a-passo é somente uma sugestão, que você pode adaptar às circunstâncias. Mas afirmo por experiência que o resultado é mais duradouro que o de um bofetão. Afinal de contas, pais que batem em filhos geralmente não batem apenas uma vez. Ora, se fosse tão eficiente, a palmada não precisaria ser repetida tantas vezes. Ela resolve rápido um problema, é verdade, mas gera outros que, a longo prazo, não compensam. Por isso, é melhor rever os critérios usados na educação e oferecer novos modelos aos nossos filhos. Modelos de amor, tolerância, perdão e paciência.
O que fazer? Bater? Gritar? Ignorar? São muitas as saídas possíveis, indicadas pela voz da experiência de muitos que já passaram pelo mesmo drama, ao longo das gerações. O beliscão ou a palmada ainda continuam, neste contexto, sendo os preferidos. Mas para a psicologia da educação, são atitudes ultrapassadas e danosas, que nada oferecem de bom e que, pelo contrário, se encontram na raiz de muitos males. Esta foi, pelo menos, a conclusão de Alice Miller, psicóloga alemã, autora de “A Verdade Liberta”, livro em que expõe suas conclusões após anos de pesquisas com adultos depressivos, cujas infâncias encontrou repletas de abusos, muitos aparentemente inocentes e justificados pela sociedade, e que denominou “pedagogia negra”.
Nossa! E um tapinha é um abuso?! Sim, pode acreditar. Geralmente nos escandalizamos com os abusos sexuais, mas há abusos de outra ordem: físicos e emocionais. A psicóloga brasileira Rosa Cukier, famosa pelo trabalho psicodramático com a criança ferida que existe dentro de cada adulto, enumerou estes últimos como os mais freqüentes e tão graves quanto os sexuais.
Bater no filho é abuso físico, assim como ameaçar abandoná-lo, humilhá-lo, xingá-lo, são abusos emocionais. Tudo isso é traumatizante, pois abala a constituição da auto-estima da pessoa em desenvolvimento, o sentimento de segurança física e estabilidade emocional.
Moral da história: é melhor procurar outro meio de lidar com a birra, pois ao contrário do que dizem, tapinha de amor dói e dói muito! Claro que surrar é mais grave que uma palmada, mas a filosofia é a mesma: criança pode apanhar. Qualquer adulto que apanhe sente-se ofendido e pode protestar com apoio de todos, mas a criança não! Depende do quanto apanhou! Isso não é um absurdo?
Vamos então a uma dica para pais e mães aflitos. Quando seu filhinho estiver fazendo birra, estejam certos de que não é nada pessoal. Eles não estão fazendo isso para lhes afrontarem desrespeitosamente. Na verdade, eles estão aprendendo seus limites, que ainda desconhecem. Acabaram de descobrir que possuem o fabuloso poder de interferir no meio a partir de sua vontade. Que quando querem algo podem conseguir, lutando por isso. Estão desenvolvendo habilidades neste sentido! Seu filho birrento é um lutador, acredite! Claro que você não quer que ele perca a capacidade de lutar pelo que deseja. Entretanto ele precisa saber que para tudo existem regras e limites. Para mostrar tais limites, sugerimos que usem a seguinte estratégia, que me foi ensinada por uma amiga que trabalha com crianças, a psicóloga paraense Lila Rosana Brito:
1º. Tente mudar de assunto. Se ela quer brincar com a sua lâmina de barbear, fale de como é legal aquela bola ali perto, o barulho dos carros lá fora, etc. Se ela entrar nessa, ótimo; se não, vamos ao segundo passo...
2º. Explique a ela porque não pode obter aquilo que deseja. Mas tente explicar com a linguagem da criança, de uma maneira compreensível para ela. Se mesmo assim, ela continuar birrando, faça o terceiro passo.
3º. Ignore. Deixe-a chorar, reclamar, insistir. Não tenha vergonha do escândalo de seu filho. Lembre-se que é apenas uma criança. Fique certo que o espetáculo dela será tão mais longo quanto mais valorizado. Como todo artista, ao perceber que o público a ignora, ela acabará desistindo. Se não desistir , siga para o próximo passo.
4º. Leve a criança para o quarto dela. Faça isso com determinação, mas sem violência. Se você se desesperar, se perder o controle, ela descobrirá que tem o poder de lhe tirar do eixo, e isso não é bom. Seja firme, não agressivo. Diga-lhe que pode chorar, mas que o choro está muito alto e, portanto, deve ficar no seu quarto, até que se acalme. Geralmente, a criança sairá do quarto junto com você, mas pacientemente você a levará de volta, repetindo que sairá do quarto quando se acalmar. Faça isso quantas vezes for necessário, até que ela compreenda que não adianta lhe seguir. Mas cuidado! Nada de deixar o pequeno trancado, de joelhos, ou algo semelhante! Nada de lhe bater, dizer que não vai mais amá-lo ou que é um menino mau. Ser firme não significa ser cruel.
5º. Quando a criança se acalmar, deixe-a sair do quarto. Ela não estava lá de castigo, mas porque estava gritando muito e o local onde lhe é permitido expressar com maior liberdade suas emoções é o seu quartinho. Simplesmente abrace-a e continue o dia normalmente. Não há necessidade de sentar e discutir a relação. Fique certo de que ela entendeu, mais pelos fatos do que por qualquer sermão, como termina uma crise de birra.
Bem, este passo-a-passo é somente uma sugestão, que você pode adaptar às circunstâncias. Mas afirmo por experiência que o resultado é mais duradouro que o de um bofetão. Afinal de contas, pais que batem em filhos geralmente não batem apenas uma vez. Ora, se fosse tão eficiente, a palmada não precisaria ser repetida tantas vezes. Ela resolve rápido um problema, é verdade, mas gera outros que, a longo prazo, não compensam. Por isso, é melhor rever os critérios usados na educação e oferecer novos modelos aos nossos filhos. Modelos de amor, tolerância, perdão e paciência.


2 comentários:
Fabuloso! Amei a foto do João, mas não é cara de birra e sim de felicidade, como de fato ele é.
Adorei a opinião dessa psicóloga Paraense. Ela deve ser boa, hehehehe...
Beijim;
Liloca
nossa adorei como ela ensinou passo a passo como lidar com a birra fiz com o meu filho e deu certo
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